Perguntando pela Vontade de Deus
“Senhor, mostra-me a tua vontade na minha vida”. Esse é um pedido bastante recomendável. Não creio que seja capaz de tratar desse assunto melhor que nosso amado irmão Andrew Murray Jr., e nem é esse o objetivo. Conhecer a vontade de Deus e viver em função dela deveria ser o objetivo maior de todo cristão.
Recentemente estive lendo o livro do profeta Jeremias. É curioso notarmos o pedido de Joanã e do povo:
Aceita agora a nossa súplica diante de ti, e roga ao Senhor teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos vêem os teus olhos; para que o Senhor teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer. (Jeremias 42:2-3).
Não é esse o pedido de muitos crentes hoje? E ainda temos a nosso favor a ausência de um mediador humano, como um profeta. Atualmente nós dizemos: “Senhor Deus, me ensine o caminho por onde hei de andar a aquilo que hei de fazer”.
O diálogo continua:
E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos tenho ouvido; eis que orarei ao Senhor vosso Deus conforme as vossas palavras; e seja o que for que o Senhor vos responder eu vo-lo declararei; não vos ocultarei uma só palavra. (Jeremias 42:4).
É maravilhoso poder saber que nós também ouviremos uma resposta como essa. Veja o que Jesus fala a respeito do Espírito Santo:
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade. (João 16:13).
O Espírito é quem nos guia. Ele ilumina nossos olhos para que possamos compreender a Palavra. A própria expressão “compreender a Palavra” é magnífica, pois não somente significa que podemos entender as Escrituras – o que já é, por si só, excelente, mas que nos tornamos participantes da natureza do próprio Cristo. Pois bem sabemos que essa participação é a única forma de compreendermos a Cristo. Veja que interessante:
E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. (Apocalipse 19:11-13).
Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo. (2 Pedro 1:3-4).
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. (1 Coríntios 13:12).
Veja, somos feitos participantes da natureza divina, embora ainda não tenhamos sido revestidos de incorruptibilidade. É isso o que nos permite conhecer a Palavra. Não fosse o Espírito Santo em nós, jamais poderíamos compreender a Bíblia e jamais poderíamos viver a vida de Cristo nesse mundo – pois, que é o fruto do Espírito senão a vida de Cristo manifesta em nós?
Prossigamos com o texto:
Então eles disseram a Jeremias: Seja o Senhor entre nós testemunha verdadeira e fiel, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o Senhor teu Deus. Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor, nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso Deus. (Jeremias 42:5-6).
Nós dizemos muito coisas assim. Dizemos que tudo o que queremos é fazer a vontade de Deus, que o desejo dEle é mais importante que o nosso e que entregamos tudo nas mãos dEle. Mas creio que o fator motivador de tudo isso seja meramente a insistência do nosso “folclore evangélico”. São verdades a respeito dos crentes e da Igreja das quais apenas alguns fragmentos restaram, e o papel da chamada “doutrina sólida” é justamente o de recuperar tais fragmentos de verdade que acabam sendo deixados para trás.
Ora, sabemos que entregar tudo o que se tem é característica dos crentes espirituais. Desejar ardentemente fazer a vontade de Deus, custe o que custar, também o é. Mas isso é apenas parte da verdade. Se a abordagem a tais fatos for feita assim, superficialmente, o resultado não será, jamais, o que deveria ser. Na verdade, nunca conseguiremos chegar nem perto do objetivo a que nos propusemos.
Entregar nossos sonhos, desejos e planos nas mãos de Deus não nos é possível. A carne jamais poderá alcançar isso, pois:
Os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. (Romanos 8:5-8).
Quais serão, então, os resultados de buscar a Deus carnalmente? Que será de nós se buscarmos andar no caminho certo guiados apenas pelo nosso folclore?
E sucedeu que ao fim de dez dias veio a Palavra do Senhor a Jeremias. (Jeremias 42:7).
E sucedeu que, acabando Jeremias de falar a todo o povo todas as palavras do Senhor seu Deus, com as quais o Senhor seu Deus lho havia enviado, para que lhes dissesse todas estas palavras, então falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o Senhor nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para ali habitar. (Jeremias 43:1-2).
Oh, Deus! Tem misericórdia do seu povo!
Você consegue perceber quão profundo é esse texto? Repare o quanto os filhos de Israel desejavam ir para o Egito. Lá eles pensavam que encontrariam paz e fartura. E isso é exatamente o que sucede com tantos dos filhos de Deus hoje! Eles voltam as costas para Deus e buscam paz e fartura no mundo. Eles abrem mão da promessa maravilhosa do Senhor, “buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33) e, assim, depositam sua confiança nos seus braços, na sua capacidade para poderem se sustentar.
Não, não é um problema trabalhar. Mas nossa confiança jamais pode estar em outro lugar que não no Senhor! É no teu braço que você confia? Pois se é, saiba que você está cometendo um erro gravíssimo.
A Bíblia também diz:
Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disso: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso. (2 Coríntios 6:14-18).
E mais:
E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. (Efésios 5:11).
Mas o que é que os crentes hipócritas dizem ao serem arguidos? “Tu dizes mentiras; o Senhor nosso Deus não te enviou!”.
Comunicar com as obras infrutuosas das trevas: ah, quantos crentes têm se detido nisso. Poucos são os que percebem as implicações da frase “e não toqueis nada imundo”. Não toqueis! O crente deve evitar encostar nas coisas imundas! Se tivéssemos mais consciência disso, se vislumbrássemos mais da santidade do Senhor, que habita em nós, certamente teríamos muito mais cuidado com nossos olhos, ouvidos e mãos.
Falta-nos ainda o desejo ardente de sermos santos. Se esse desejo inundasse nosso coração, certamente passaríamos mais tempo de joelhos clamando: “Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”. Se o anseio por santidade invadisse nosso ser, quão insatisfeitos estaríamos com nosso viver. Quanto egoísmo ainda resta, quanta lascívia, quanta cobiça, quanta má-vontade e falta de amor! Se anelássemos por santidade verdadeiramente, quão entristecidos ficaríamos com o pecado! Quão abominável ele seria para nós! Quão terrível seria a idéia de cair no laço do Inimigo, e quanto tempo oraríamos pedindo ao Senhor que nos livrasse do mal!
Se desejássemos ser santos, ouviríamos com atenção a Palavra de Deus. Joanã e o povo estavam cumprindo seus deveres folclóricos, como muitos crentes quando cantam “tudo entregarei, sim, por Ti Jesus, bendito, tudo deixarei”. Mas nos seus corações havia o desejo ardente de ir para o Egito. Que o Senhor limpe nossos corações! Pois quando o Senhor nos diz, seja pela Palavra, seja pelo testemunho do Espírito em nós, seja por um pregador ou por um irmão, que devemos deixar certas práticas ou seguir por um caminho que, a princípio, não nos agrada, prontamente tapamos nossos ouvidos, dizendo: “o Senhor não te enviou”, “essa palavra não é para mim” e mais milhares de desculpas que tentam substituir a paz de Cristo em nossos corações.
Regozijais-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda a aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Tessalonicenses 5:16-23).

2 Comentários for Perguntando pela Vontade de Deus
Alethéia | 27/11/2010 at 14:08
monica | 07/02/2011 at 11:01
DEUS é maravilhoso estou ´passando tribulações e creio na minha libertaçao

Que o Grande Deus abençoe esse seu "Dom" maravilhoso e o aperfeiçoe para edificação dos santos e instrução da Igreja dEle até a Restauração. AMÉM.
Fique na _PAZ_